The Witch – Review

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Oi, pessoal.

Pra essa sexta-feira 13 eu decidi indicar um filme que assistimos recentemente.

A Bruxa (The Witch) dirigido por Robert Eggers se passa na Inglaterra durante o ano de 1630, narrado pela personagem Thomasin. Uma família se muda para uma casa isolada, onde cria alguns animais e cuida de uma pequena plantação. Coisas misteriosas e sombrias começam a acontecer no decorrer do filme, como a morte da plantação da família, o comportamento malévolo dos animais e o desaparecimento de um bebê do casal.

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O filme tem uma estética muito sombria e própria. Ele não passa nem perto dos filmes de terror convencionais. O lugar, o comportamento dos personagens, a postura dos animais, a velocidade dos diálogos, a intensidade do ritmo de montagem e a crescente perturbação que atormenta o clima inteiro durante o filme mostram na prática que o terror pode ir além da receita de bolo onde o espectador já consegue esperar o que vai acontecer e o que pode acontecer somente pelo crescente e decrescente da trilha sonora ou do movimento de câmera. Não é ruim, mas é manjado, é batido e passa a ser previsível. O filme é pesado em todos os aspectos, desde a sua narrativa até a própria locação. Quando me refiro a pesado, não estou me referindo a ser um lugar sombrio, assustador ou qualquer outra coisa que se assemelhe a locais obscuros. Não é. Ele é realmente pesado, há um peso no ar durante o filme inteiro e é aconselhável que se esteja entregue ao clima que ele traz; por isso indico que não assista a esse filme comendo ou fazendo qualquer outra coisa que te tire a atenção de algum modo, porque ele não pretende te prender. Ele é convidativo, tudo nele convida, mas nada te prende. E isso é o que deixa tudo mais interessante nele. A floresta que envolve a casa da família, principalmente durante a noite, se torna o elemento central de mistério e apreensão. Não vamos falar sobre sustos e suspenses pré definidos e compactados do terror convencional porque isso já foi bastante discutido desde o seu lançamento. Porém, diferentemente disso podemos afirmar que ele tem uma intensidade muito, mas muito mais assustadora e perturbadora do que qualquer outro filme recente do gênero. Ele próprio, em todo o seu enredo, é originalmente e envolventemente perturbador. Não é um filme pra matar a tua vontade de chocar. Ele não é chocante, não tem uma linha pré definida do clímax e não vai te preparar pra nada. Ele não tem essa pretensão. A trilha é arrepiante e algumas cenas arrepiam a espinha. Não por susto ou por espanto. Ele dá medo. Ele te transporta a um universo mais macabro e a um mistério desolador. Ele não se embasa na superficialidade do terror, que pra chocar e assustar, precisa ser excentricamente superficial e raso. Porque é anestésico. The Witch não tem essa pretensão. A maior pretensão desse filme é a densidade profunda a qual ele te transporta. E isso é muito mais do que um modelo pré meditado de suspense ou do gênero cinematográfico que tem como base central a elevação e a decadência do clímax a todo o momento durante o filme. O filme começa no clímax e termina com esse clímax, de forma sutil e envolvente. Esse é o charme e a beleza primordial dele: o mistério como base narrativa, não como base secundária para o clímax, mas como essência para toda a trama.

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“Black Phillip, Black Phillip
A crown grows out his head,
Black Phillip, Black Phillip
To nanny queen is wed.
Jump to the fence post,
Running in the stall.
Black Phillip, Black Phillip
King of all.

Black Phillip, Black Phillip
King of sky and land,
Black Phillip, Black Phillip
King of sea and sand.
We are ye servants,
We are ye men.
Black Phillip eats the lions
From the lions’ den.”

Luca Gebara e Débora Cechetto


9 Comments on “The Witch – Review

  • Estou pra fazer uma resenha do filme, mas não achei ele previsível não por que ele dá um ar de dúvida, você fica se perguntando se é realmnte aquilo e porquê.
    Teve vários pontos que só fui entender exatamente depois que vi um comentario de um cineasta sobre o filme, achei ele tenso.

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  • Sabe, sempre tive suspeitas, mas apenas a alguns meses, após começar a acompanhar seus posts e me sentir tão “compreendida” e pesquisar muito sobre isso, passei a ter certeza que tenho depressão e ansiedade. Acredito que tenha tido minha vida inteira, não foi fácil, mas de alguma forma eu realmente me acostumei a ela, ao ponto de ser uma companhia constante. Nunca gostei de demostrar meus sentimentos, e sempre os ocultei de forma que mesmo as pessoas mais próximas pararam de enxergar-los em mim. Para minha família sou apenas uma pessoa “fria”, para amigos sou a garota “dura” e para meu ex marido, pelo que descobri recentemente, eu era alguém “sem sentimentos”. Durante toda minha vida usei mascaras, que visto sempre que acordo, e apenas retiro para dormir. Estou tão adaptada a ela que nem faço esforço para tal, virou meu modo operante… Sempre existiu duas pessoas dentro de mim, a que sente tudo, e a que nega tudo. Recentemente me separei, e tive de ouvir que isso era por que eu não dava a devida atenção, carinho e amor merecido, o que de fato não posso nem negar, a cada problema que passava, estresse, decepção, briga ou qualquer coisa, eu me afastava pouco a pouco, mesmo dentro de mim desejar muito apenas abraçar e ficar junto com a pessoa. Oscilo constantemente em sentir tudo profundamente e não sentir nada, mas não sentir nada é um vazio tão grande que por vezes acho mais doloroso que sentir tudo. Ainda não sei o que irei fazer, não me sinto a vontade de falar sobre isso com ninguém, e sinto que chegar para alguém e falar “oi tenho depressão” vão dizer que é exagero ou frescura e não quero lidar com isso. Espero conseguir não deixar isso me afastar e destruir todos os relacionamentos que ainda terei, como fez com todos os anteriores, é doloroso demais.

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  • Raíssa C. Figueiredo

    Assisti esse filme há umas semanas atrás, e acho que essa foi uma das resenhas mais pontuais sobre ele.

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  • Oi Débora! Sou a Sabrina, do blog sabrinadventures.wordpress.com. Fiz um post dando umas indicações relacionadas à sexta feira 13, nele falei sobre o teu canal e sobre o teu estilo, também citei a indicação de filme que tu deu hoje nesse post! Deixei todos os teus links e créditos, mas ainda assim queria saber se tenho autorização pra postar! Tudo bem?
    Beijos, amo teus posts e teus vídeos!

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  • Debrinha, amei demais esse filme! Só corrige lá que o filme não se passa na inglaterra e sim na nova inglaterra, ou seja, nos eua.

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  • Nossa, fiquei com muita vontade de assistir. Adorei os gifs. (P.S.: s-a-b-i-a que era o Luca escrevendo, com esse monte de advérbio seguido de *ponto final* Porque gxgxgxgxgxgx *ponto final* hahahaha)

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