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4 filmes de terror francês que vão revirar o seu estômago e mente

Oi!

 

Um dos maiores problemas de gostar de escrever sobre filmes de terror no geral é que fica cada vez mais difícil achar um bom lançado recentemente. Geralmente quando assisto algum que gosto eu recomendo nos meus stories porque acho que não vale o post. Resolvi então mudar e começar a escrever sobre filmes que eu gosto muito mas que não são lançamentos. E pra começar bem, vou direto no horror francês que me encanta muito pela falta de limites. 4 filmes para revirar o seu estômago e mente nesse fim de semana.

 

A L’intérieur (A Invasora), 2007 – Já aviso que se você é sensível é melhor passar longe desse filme. Dos diretores Alexandre Bustillo e Julian Maury, o filme começa num ritmo lento e chega até a parecer um drama, mudando aos poucos para uma atmosfera mais densa de suspense até chegar no ritmo frenético de puro terror gore e violência em níveis absurdos. Não economizaram nadinha no derramamento de sangue. Extremamente gráfico e com poucos diálogos, foca no horror puro. É o tipo de filme para públicos bem específicos. A trilha sonora é pontual, cheia de ruídos e zumbidos estranhos que causam um mal estar na mente. Completamente desconfortável, do jeito que eu gosto. Pra quem curte gore é indispensável. Um dos melhores do gênero na minha opinião. Uma das coisas que mais gosto no filme é que se passa na noite de Natal e não tem magia nenhuma da data. Totalmente frio. Outro ponto importante é que os diretores optaram por um clima de tensão bem construído, deixando os sustos fáceis de lado. O enredo em si é bem simples: depois de perder o marido em um acidente de carro, a protagonista Sarah (Alysson Paradis) que está grávida e prestes a ter o bebê, resolve passar a noite de Natal sozinha em casa em depressão. E tudo está bem até uma estranha (Béatrice Dalle) bater na porta. Acho que vocês não precisam saber mais nada além disso.

Martyrs (Mártires), 2008 – escrito e dirigido por Pascal Laugier, o filme mostra a jornada de Lucie (Mylène Jampano) que está em busca de vingança contra as pessoas que a aprisionaram e torturaram quando criança. Ela conta com a ajuda de sua amiga Anna (Morjana Alaoui) que sempre esteve ao seu lado. Nenhuma das duas poderia imaginar a experiência horrenda que as aguardava. É difícil falar mais sobre sem soltar algum spoiler. A violência desse filme é mais psicológica mas é igualmente chocante. O filme já começa num ritmo tenso e permanece assim até o fim. Um dos meus filmes favoritos da vida e essencial pra quem quer conhecer um pouco do terror extremo francês e também pra quem tem uma imagem ruim de filmes de terror no geral por achar que são pouco inteligentes. Posso garantir que as produções francesas são totalmente diferentes das americanas. Desconfortável, cru e perturbador. Mais um filme que mostra da pior forma possível como o ser humano com poder não tem limite algum. Um retrato de até onde pode chegar a obsessão humana. Os vilões do filme são tão repulsivos, egoístas e cruéis que as suas atitudes e motivações acabam chocando mais do que as cenas de violência explícita. O roteiro é inacreditável e tenho certeza que vai te afetar. Maquiagem e efeitos especiais impecáveis. Uma obra-prima na minha opinião e um dos poucos filmes que não me deixaram frustrada com o final.

Frontière(s) (A Fronteira), 2007 – Imaginem uma versão francesa violentíssima de o Massacre da Serra Elétrica com uma família de neonazistas psicopatas no lugar da família de canibais, escrito e dirigido por Xavier Gens, isso é A Fronteira. No meio de um banho de sangue, o filme ainda conta com um pano de fundo político, levantando sutilmente questões como xenofobia, imigração na Europa e ataques terroristas. Em meio a um pé de guerra, manifestações violentas e vandalismo na capital francesa, um grupo de jovens delinquentes assaltantes de bancos resolve fugir para a Holanda para tentar ajudar Yasmine (Karina Testa) que está grávida mas não quer que o filho cresça num mundo louco e resolve fazer um aborto. A gangue é formada por seu irmão Sami (Adel Bencherif), seu ex-namorado e pai da criança Alex (Aurélien Wiik) e os amigos Tom (David Saracino) e Farid (Chems Dahmani). O começo do filme é um pouco confuso pois se passa no meio de uma revolta popular. O verdadeiro terror começa quando eles resolvem parar num hotel de beira de estrada. Sangue jorrando pela tela e brutalidade explícita em cenas de desviar o olhar. Pra quem procura um filme perturbador e visceral, eu recomendo começar por esse.

Haute Tension (Alta Tensão) 2003 – escrito e dirigido por Alexandre Aja e Grégory Levasseur, mais uma obra francesa que não economizou no derramamento de sangue e explora a violência de forma perturbadora e incômoda. Quando a tensão começa, ela não para mais. Fazendo jus ao título. A história não tem nada especial: duas jovens Marie (Cécile de France) e sua amiga Alexia (Maiwenn Le Besco) estão viajando de carro para a casa dos pais de Marie que fica numa região rural bem afastada para aproveitar uns dias de tranquilidade no campo e estudar para as provas que se aproximam. O que elas não imaginariam, é que já na primeira noite um maníaco bateria na porta do sítio. O roteiro trabalha tão bem o suspense que até as cenas mais violentas e sem piedade não parecem tão gratuitas. O final também não deixa a desejar e nos surpreende com uma reviravolta. Apesar de em consequência disso ter deixado alguns furos no roteiro, não faz diferença alguma porque aqui não existe tédio nem momentos de sono e enrolação. É tudo muito preciso. A fotografia é forte e nos passa um horror completamente real. Trilha sonora firme e pontual colocada sempre nos momentos certos. Um dos primeiros filmes do movimento New French Extremity. Essencial.

Espero que vocês gostem! Lembrando que não recomendo nenhum desses filmes pros estômagos mais sensíveis. Comentem o que acharam ou se já assistiram algum ok?

ps: alguns possuem remake, mas recomendo apenas os originais.

até a próxima.

Sharp Objects – Crítica

Oi,

 

Não costumo escrever sobre séries aqui mas fiquei tão impactada que me deu vontade de escrever. É aquele tipo de história que começa um pouco lenta mas vai te engolindo aos poucos e quando você percebe já está completamente envolvido ao ponto de não conseguir parar de assistir até o último episódio.

Sharp Objects (Objetos Cortantes) 2018 – minissérie de 8 episódios da HBO inspirada no livro de Gillian Flynn (mesma autora de Gone Girl) e dirigida por Marc Vallée (de Big Little Lies) conta a história de Camille Preaker, uma jornalista (interpretada pela maravilhosa Amy Adams) que foi enviada para cobrir um assassinato de duas adolescentes em sua cidade natal e acaba tendo que confrontar os fantasmas do seu passado.

Acho importante avisar que a série toca em temas delicados como autoflagelação, abuso de substâncias e relação abusiva materna. Então se é gatilho pra alguém, é melhor evitar.

A atmosfera sombria e melancólica inicial é tóxica e envolvente ao mesmo tempo. O ritmo um pouco lento dos primeiros episódios na minha opinião foi de extrema importância para a construção e desenvolvimento dos personagens e ainda nos passa a sensação desesperadora de estar lá naquela cidade. Wind Gap é aquela típica cidadezinha americana de interior que todo mundo se conhece e fica marcado pro resto da vida por tudo que acontece desde a infância. Os flashbacks desconexos da adolescência e infância de Camille (interpretados pela atriz mirim Sophia Lillis) e as suas constantes alucinações simulando confusão mental foram essenciais para manter o clima sufocante e misterioso do começo ao fim. Foi angustiante observá-la. Cortou meu coração.

Logo somos apresentados também a sua mãe, Adora (Patricia Clarkson), uma socialite mimada e narcisista que vive na sua bolha de privilégios e acha que tudo e todos giram em torno de si. É notável logo de cara o comportamento abusivo e controlador de Adora com suas filhas (que ficou ainda pior depois da morte de Marian Crellin, filha de seu segundo casamento e irmã de Camille), a partir daí começamos a entender um pouco melhor os comportamentos destrutivos da protagonista. Além da irmã que faleceu, Camille tem mais uma meia-irmã, Amma Crellin (Eliza Scanlen), que é bem mais nova e parece ter sido a forma de Adora lidar com a morte de Marian e a ausência de Camille, que logo foi embora pra cidade grande. Nada nessa casa parece certo, esse trio de protagonistas representa com maestria tudo que há de mais tóxico numa família. Ainda temos Alan (Henry Czerny), o apático padrasto que chega a dar raiva de tão omisso.

Apesar de ser sobre uma trama policial, o que nos envolve e prende mesmo são os dramas/traumas familiares, o aprofundamento gradativo dos personagens e os mistérios e segredos doentios envolvendo a cidade e seus habitantes.

Importante: assistam até o fim dos créditos do capítulo final.

Recomendo muito e com certeza agora vou atrás do livro pra ler também. Quem já assistiu ou leu o livro comenta aí o que achou. 🙂