Esponjas Emocionais

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Tenho a impressão que esse ano começou bem e em algum momento começou a escorregar pelas minhas mãos.

Todos os dias eu tento focar a minha mente nas coisas positivas então posso falar que consegui salvar algumas partes desse emaranhado de coisa ruim. Eu não sou o tipo de pessoa que culpa o ano pelas coisas e sei que a culpa é provavelmente minha. Apesar de ter sido claramente um ano esquisito pra todo mundo.

Geralmente eu me fortaleço de um lado e enfraqueço de outro. Meu objetivo na vida é achar um equilíbrio. Eu me desgasto muito com as coisas. Às vezes converso com alguém pela manhã e levo um dia inteiro pra me recuperar daquilo. Não importa se a pessoa falou algo sobre mim ou se falou algo dela mesma. Eu tenho que fazer um esforço enorme pra lidar com meus próprios pensamentos e emoções sem entrar em colapso e mesmo assim vivo à beira da loucura. Eu não sei fazer nada de maneira superficial. Minha cabeça entra fundo em tudo e absorve como se tivesse vindo de mim, mesmo quando não vem e não tem nada a ver comigo. Se eu vejo alguma tragédia eu fico arrasada por tempo indeterminado como se tivesse acontecido com alguém próximo a mim. Chego até a ficar doente às vezes.

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Quando você é uma esponja emocional o que você sente pode ser seu, de outra pessoa ou uma associação. Começa a ficar tudo muito confuso e fora de controle.

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Quando a pessoa não aprende a centrar, fundamentar e controlar as emoções ela acaba virando uma escrava delas porque não consegue se abster de sentir todas as coisas (boas e ruins).

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Mas você não precisa sentir todas essas coisas o tempo todo. Quando todas essas emoções estão controladas e se tem domínio sobre elas, essa empatia excessiva deixa de ser um fardo e deixa de te sobrecarregar.

Obviamente eu ainda não cheguei nesse estágio.

Uma esponja emocional tem uma sensibilidade enorme em relacionamentos amorosos que pode ser esmagadora e prejudicial por não saber dosar direito as coisas.

Eu já falei muito sobre vampiros psíquicos que são pessoas que não querem ver a outra muito bem e sugam tudo de bom e qualquer vestígio de felicidade e energia boa dela. Esponjas emocionais são as que mais sofrem nas mãos dos vampiros psíquicos e são o contrário deles.

Ao entrar em contato com coisas positivas o corpo assimila e prospera mas infelizmente não tem como absorver só tudo que é belo. O que predomina acaba sendo o que é negativo e te deixa devastado. Ansiedade crônica, depressão e stress são coisas que podem te transformar em uma esponja emocional porque esgotam todas suas defesas. Você começa a absorver para si todas as dores dos outros parecidas com as suas.

Eu sempre brinco que sou uma pessoa “sumida” porque eu realmente sumo. É muito difícil ser meu amigo porque eu tenho extrema dificuldade em manter contato com os outros. Isso não quer dizer que eu não me importe. Essas coisas que todo mundo fala “quem se importa vai atrás”, “quem tem saudade procura”, e por aí vai, não se aplicam a mim. As pessoas se importam de maneiras diferentes com as outras. Eu posso passar muito tempo sem ver e sem conversar com alguém que não vai mudar nada. Jamais viraria as costas ou deixaria de responder quem precisa da minha ajuda. Mas eu não sou uma pessoa presente. Eu já me conformei e aprendi na vida que por conta disso não vou ter quase ninguém por perto. Pelo menos eu sei que quem permanece comigo realmente gosta de mim. Eu preciso muito do meu espaço. Parece ficção mas se eu vou em um lugar cheio às vezes eu preciso de um mês pra me recompor e fazer aquilo de novo. As pessoas aos poucos cansam de te chamar pra fazer as coisas. Aos poucos vão desistindo de ti. Mas não tem como sacrificar a tua sanidade mental pra ter mais pessoas ao teu redor. Pessoas que não te compreendem.

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Eu não acredito em resoluções de ano novo mas eu sei que mais um ano desses eu não aguento. Minha meta pessoal além de cuidar cada vez mais da minha saúde é tentar me manter centrada nesse mundo tóxico e emocionalmente sobrecarregado.

 

Até a próxima.


9 Comments on “Esponjas Emocionais

  • Vim do stories 😉
    Realmente me identifico!! Com o post e varios comentários.
    É exatamente dessa forma, Débora!
    As pessoas me procuram pra pedir conselhos e ajuda para resolver problemas; devo ser bom nisso; me empenho como se fosse comigo; muitas me confessam coisas, as quais eu não gostaria de saber! mas quando vejo já sei e isso me sobrecarrega emociolmente, porque eu fico pensando naquilo que aconteceu com a pessoa. A própria pessoa, geralmente, já superou o trauma e eu não! (:
    Me lembro que uma vez aconteceu algo intrigante; eu era novinho e estava assistindo uma novela (Porto dos Milagres) e na cena a personagem: uma moça, estava experimentando o vestido de noiva da irmã em frente ao espelho, quando entrou um homem na casa dela e a violentou… em seguida, ela, desnorteada, foi para o quintal da casa dela, amarrou uma corda em uma árvore e se matou… lembro da cena dos pés se debatendo até hoje com clareza! Eu fiquei em depressão por conta dessa cena, que não saia da minha cabeça de jeito algum… me dava crises de ansiedade só de lembrar! não sei porque demorei tanto para assimilar que se tratava de ficção…
    Nessa mesma época desenvolvi TOC (de pensamentos macabros repetitivos), mas não sabia o que era e comecei a achar que eu fosse esquizofrênico, pois eu tinha um vizinho que era e ele me confessava os pensamentos que ele tinha e eu pensava que era a mesma coisa que eu vivenciava… eu morria de medo de ter aqueles pensamentos, e quanto mais meu medo crescia, mais os pensamentos pioravam; eu temia perder o controle da minha mente e enlouquecer…
    De alguma maneira aquela perturbação interna transparecia e eu me tornei um garoto ‘estranho’ aos olhos das pessoas…
    Sofri muito nessa época… e pensei várias vezes em dar um fim naquilo tudo, porque era uma avalanche de pensamentos densos, que se repetiam e me faziam duvidar da minha própria sanidade mental;
    Pra piorar eu gostava muito de bruxas, vampiros, lobisomens e tudo o que fugia da realidade, coisas mágicas e místicas em geral me atraiam; filmes como, Elvira; Carrie, a Estranha; A família Adams; Chuck; Sexta-feira 13; A hora do Pesadelo; Do amor a Sedução; etc, eram meus preferidos… e quando lançou Harry Potter então? eu passava mal esperando o próximo livro ser lançado, pra poder entrar naquele mundo surreal… acho que era um tipo de fuga; mas foi então que as pessoas as quais eu falava sobre aqueles pensamentos, por ignorância, acabaram relacionando uma coisa na outra e passaram a crer que eu estava sob influência do maligno; me levavam à igreja, benzedeira e isso, na época, me fez achar que, talvez, eu, de fato, fosse uma pessoa má e que aqueles pensamentos eram meus desejos íntimos ou pior! eu estivesse realmente sobre influência de algum demônio; hoje eu até rio lembrando disto. (:
    Eu pensava: porque será que eu gosto tanto dos vilões? dos personagens obscuros? de tudo que foge a regra? porque eu quero ter um boneco do Chuck? se ele é do mal… e essa curiosidade intrínseca de ler o livro capa preta de São Cipriano? Então, passei a não demonstrar mais meu gosto peculiar pelo mundo darkness, por aqueles filmes e livros, passei a usar roupas mais claras e de certa forma criei um personagem: simpático, amigável, sorridente, que falava o que as pessoas queriam ouvir, porque queria ser aceito como normal… lidava com os pensamentos sozinho e torcia para não enlouquecer…
    Somente no final da adolescência, descobri que aquilo que vivenciei na infância era TOC… foi um alívio, e eu meio que fui reaprendendo a ser quem eu era em essência, redescobrindo coisas e conseguindo entender que meus gostos e hobbies não me definiam como um todo; em partes, voltei a ser quem eu deveria ter sido; mas não sem sequelas emocionais, claro e também não em totalidade.
    Hoje não tenho esse TOC como antes, porém, ainda hoje, se algo sai muito do controle que eu ACHO que tenho, a ponto de eu ficar à beira de um ataque de pânico, alguns pensamentos engatilham! mas eu penso: “é TOC!” e isso alivia minha mente na hora; embora uma ‘vozsinha’ ainda diga: “mas será que é mesmo?” (:
    Por tudo isso também, me identifico com você; acho ‘seu mundo’: que você nos mostra no insta e aqui, um lugar comum, pois é um mundo ao qual eu já estivesse e de certa forma pertenço e me sinto em casa… embora quem me vê na rua deve achar que sou uma pessoa “normalzona”, mal sabendo eles o quão ‘fora da casinha’ eu realmente sou (:
    E é isso… (:

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  • Oi,
    Faz um tempo que eu não dava uma passada por aqui. Hoje resolvi ler algumas coisas sua, e me deparo com isso. É como se contasse tudo que eu sinto, (isso me causou até um pouco de medo) sabe quando a gente lê algo e começa a se questionar o pq disso? Então… Eu queria ter presença na vida das pessoas, às vezes eu tento, chamo pra sair, tenho conversas longas, mas em determinado momento me bate uma energia ruim, eu fico totalmente perdida, ofegante. E tudo isso foi afastando tantas pessoas das quais eu tenho um amor imenso. Ninguém se importou em ficar ou em simplesmente entender. Isso ainda é assustador para algumas pessoas. Mas para nós que vivemos isso é ainda mais. Algumas pessoas “tentam” colocar na nossa cabeça que deveríamos “ficar” “melhorar” por nossa família, pelo pai, pela mãe, por qualquer pessoa, menos por nós. Algumas pessoas ainda me procuram pra falarem coisas ruins de sua vida, e eu sempre as ouço, e dou minha opinião, às vezes eu simplesmente não tenho. Aquilo me dói muito, eu simplesmente passo horas remoendo o que fizeram com aquela pessoa e isso me dá um desgaste enorme. E fica aquele pensamento de que se você se afastar da pessoa você ficará sozinho. Essa vida às vezes parece ser desgastante demais, e piora quando você se auto julga como as pessoas fazem “você só é mais uma garota mimada querendo atenção” “você tem tudo” “você não trabalha” “quer se matar? de um tiro na cabeça, pelo menos é certeiro”. A vida pode parecer simples para alguns, mas para nós… É como viver todos os dias em um jogo, qualquer “erro” nos leva ao final.

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  • Oi Débora,
    Nunca procurei sobre o assunto mas seu texto me chamou muita atenção e acabei me identificando bastante com vários aspectos que você descreveu. Sou o tipo de pessoa que absorve tudo que as pessoas falam sobre mim, principalmente aspectos negativos e não sei lidar com isso, fico dias ou até semanas processando aquilo e as vezes fico até paranoica me perguntando o que há de errado comigo. Ano passado tive um relacionamento abusivo e também por ser ausente não cultivo de muitas amizades, me sinto muito sozinha e com tudo que aconteceu ano passado só piorei. Já procurei ajuda com psicólogo mas o que eu escuto é “você não pode absorver isso” só que falar é fácil né. Se você conseguir esse equilíbrio por favor nos conte pq não é fácil conviver com isso…

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  • Nossa Débora. Muito obrigada por esse texto. Me identifiquei muito e me questionei sobre o fato de não ser tão presente na vida das pessoas(nunca tinha parado pra pensar/olhar por esse ângulo- do não ser presente). Eu, geralmente, olhava pra mim achando que eu tinha que mudar, mas esse post me fez refletir e lembrar de que eu não preciso alterar quem sou pra agradar pessoas que reclamam por eu ser ausente. Sou assim e preciso de meu espaço. Mais uma vez, muito obrigada.

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  • Excelente texto… Me identifiquei demais. Conversar com as pessoas a respeito de tudo isso é sempre tão frustrante.

    Ser uma esponja é um sufoco constante, né? Ontem tive uma experiência horrível com uma amiga, discutimos feio. Eu prefiro deletar a pessoa da minha vida antes de chegar nesse ponto de entrar em discussões sérias e desagradáveis, por isso quando vejo que me submeti a esse desgaste, mesmo tomando tanto cuidado pra nunca viver nada parecido, fico muito desapontada com o rumo das coisas. Demoro muito pra me recuperar. Se com situações simples do cotidiano eu já me torno imprestável, nem se fala com algo mais complicado e íntimo. O pior de tudo é não se permitir sofrer, cobrar uma força que nem sempre a gente consegue encontrar… Na minha experiência, essas feridas cicatrizam mais rápido quando nos entregamos às emoções. Pelo menos quando eu choro até cair no sono, acordo bem melhor do que quando vou dormir tentando não me abalar. E puts, também tenho essa mania de me afastar das pessoas. Por muito tempo tive um hábito terrível de desativar redes sociais, mas já faz uns anos que deixei isso de lado. Um avanço!

    Meu deusinho, viu? Gente que diz que “quem ama corre atrás” tem uma visão muito egoísta de tudo. As pessoas tem ritmos diferentes, passam por experiências diferentes, não se pode taxar de atitude-modelo uma determinada postura e sair falando dela como se quem não a praticasse não fosse digno de sentimentos de carinho. Esse tipo de coisa me irrita demais. Tenho muita dificuldade pra entrar em relacionamentos, me colocar nessa posição vulnerável e garanto que NUNCA foi por falta de interesse na pessoa. O buraco é muito mais embaixo. Bom que quem concorda com essas coisas já se elimina das nossas vidas automaticamente, pelo menos. Puta favor.

    Muito legal, de verdade, você compartilhar esse tipo de coisa por aqui. A internet tá precisando muito de mais pessoas que não tenham medo de explorar esses temas. Já te parabenizei em outros posts, mas, sempre válido repetir: Admiro muito sua coragem! Acredito em energias e na conexão que podemos criar com outras pessoas mesmo online. Aliás, pra falar a verdade, acho que atualmente é bem mais fácil criar algo real na internuts do que pessoalmente. Sendo assim, te desejo tudo que há de melhor em 2017! Que você continue a inspirar por quem é por dentro e por fora.<3

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  • Eu me sinto assim também.
    Bom de ler esse texto é que eu pelo menos não to sozinha (é um pensamento bem egoísta da minha parte pensar assim, eu sei, mas pelo menos eu não me sinto um completo alienígena)
    Esse ano eu tentei de tudo, fiz o máximo pra manter minhas mínimas amizades, o pouquinho que eu ainda tinha mas tudo foi por água a baixo. Sofri anos com uma amizade abusiva com medo de ficar só de vez, tendo que aguentar uma pessoa que só me fazia mais mal do que bem e hoje eu finalmente criei coragem de excluir essa pessoa de vez da minha vida. Foi um alívio muito grande. Mas agora eu to quase completamente só. Tirando minha família eu não tenho mais ninguém (levando ainda o fato de que eu sou incapaz de me comunicar direito nem com a minha família, incluindo meus pais.)
    É díficil, eu entendo muito bem. Obrigada por compartilhar isso, já me ajudou me dando a oportunidade de me abrir um pouco, mesmo sendo só por esse comentário no seu blog.

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  • Debora vc escreve muito bem e mesmo falando dos seus sentimentos as vezes sinto como se o que vc posta é um texto de auto ajuda… se vc escrever um livro serei a primeira a comprar
    Tomara que tudo melhore pra vc, vc e linda!

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  • Débora, é muito claro pra mim que o que vc tem é mediunidade. Procure pelo termo ‘médium de carga’ ou procure saber sobre isso num centro espírita. Tem como vc tratar isso e levar uma vida muito mais saudável….me vi no seu relato e me dói ver uma pessoa sofrendo por conta desse tipo de coisa. Mediunidade é sério e mal trabalhada pode destruir a vida de uma pessoa.

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