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Esponjas Emocionais

Tenho a impressão que esse ano começou bem e em algum momento começou a escorregar pelas minhas mãos.

Todos os dias eu tento focar a minha mente nas coisas positivas então posso falar que consegui salvar algumas partes desse emaranhado de coisa ruim. Eu não sou o tipo de pessoa que culpa o ano pelas coisas e sei que a culpa é provavelmente minha. Apesar de ter sido claramente um ano esquisito pra todo mundo.

Geralmente eu me fortaleço de um lado e enfraqueço de outro. Meu objetivo na vida é achar um equilíbrio. Eu comentei esses dias que queria me recuperar das coisas como me recupero de uma refeição. Quando eu como até não conseguir nem me mover e penso que nunca mais vou comer de novo e depois de 1 hora estou com fome e pronta pra comer mais.

Eu me desgasto muito com as coisas. Às vezes converso com alguém pela manhã e levo um dia inteiro pra me recuperar daquilo. Não importa se a pessoa falou algo sobre mim ou se falou algo dela mesma. Eu tenho que fazer um esforço enorme pra lidar com meus próprios pensamentos e emoções sem entrar em colapso e mesmo assim vivo à beira da loucura. Eu não sei fazer nada de maneira superficial. Minha cabeça entra fundo em tudo e absorve como se tivesse vindo de mim, mesmo quando não vem e não tem nada a ver comigo. Se eu vejo alguma tragédia eu fico arrasada por tempo indeterminado como se tivesse acontecido com alguém próximo a mim. Chego até a ficar doente às vezes.

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Quando você é uma esponja emocional o que você sente pode ser seu, de outra pessoa ou uma associação. Começa a ficar tudo muito confuso e fora de controle.

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Quando a pessoa não aprende a centrar, fundamentar e controlar as emoções ela acaba virando uma escrava delas porque não consegue se abster de sentir todas as coisas (boas e ruins).

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Mas você não precisa sentir todas essas coisas o tempo todo. Quando todas essas emoções estão controladas e se tem domínio sobre elas, essa empatia excessiva deixa de ser um fardo e deixa de te sobrecarregar.

Obviamente eu ainda não cheguei nesse estágio.

Uma esponja emocional tem uma sensibilidade enorme em relacionamentos amorosos que pode ser esmagadora e prejudicial por não saber dosar direito as coisas.

Eu já falei muito sobre vampiros psíquicos que são pessoas que não querem ver a outra muito bem e sugam tudo de bom e qualquer vestígio de felicidade e energia boa dela. Esponjas emocionais são as que mais sofrem nas mãos dos vampiros psíquicos e são o contrário deles.

Ao entrar em contato com coisas positivas o corpo assimila e prospera mas infelizmente não tem como absorver só tudo que é belo. O que predomina acaba sendo o que é negativo e te deixa devastado. Ansiedade crônica, depressão e stress são coisas que podem te transformar em uma esponja emocional porque esgotam todas suas defesas. Você começa a absorver para si todas as dores dos outros parecidas com as suas.

Eu sempre brinco que sou uma pessoa “sumida” porque eu realmente sumo. É muito difícil ser meu amigo porque eu tenho extrema dificuldade em manter contato com os outros. Isso não quer dizer que eu não me importe. Essas coisas que todo mundo fala “quem se importa vai atrás”, “quem tem saudade procura”, e por aí vai, não se aplicam a mim. As pessoas se importam de maneiras diferentes com as outras. Eu posso passar muito tempo sem ver e sem conversar com alguém que não vai mudar nada. Jamais viraria as costas ou deixaria de responder quem precisa da minha ajuda. Mas eu não sou uma pessoa presente. Eu já me conformei e aprendi na vida que por conta disso não vou ter quase ninguém por perto. Pelo menos eu sei que quem permanece comigo realmente gosta de mim. Eu preciso muito do meu espaço. Parece ficção mas se eu vou em um lugar cheio às vezes eu preciso de um mês pra me recompor e fazer aquilo de novo. As pessoas aos poucos cansam de te chamar pra fazer as coisas. Aos poucos vão desistindo de ti. Mas não tem como sacrificar a tua sanidade mental pra ter mais pessoas ao teu redor. Pessoas que não te compreendem.

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Eu não acredito em resoluções de ano novo mas eu sei que mais um ano desses eu não aguento. Minha meta pessoal além de cuidar cada vez mais da minha saúde é tentar me manter centrada nesse mundo tóxico e emocionalmente sobrecarregado.

 

Até a próxima.